Notícias

15/06/2012 | MP: alto escalão da prefeitura cobrou propina


Silvia Amorim - O Globo - 15/06/2012

Testemunhas contaram detalhes do esquema para liberar obras em SP

SÃO PAULO . As investigações do Ministério Público sobre um suposto esquema de propina no setor de aprovação de obras da prefeitura de São Paulo já avançam sobre funcionários do alto escalão da gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD). A informação é do promotor de Justiça Silvio Marques. Ele disse ontem que as apurações não estão restritas ao ex-diretor do Aprov Hussain Aref Saab, exonerado neste ano, e ao vereador Aurélio Miguel (PR). Ambos foram apontados por uma testemunha como recebedores de propina para liberar obras irregulares em dois shoppings na cidade.
- Podemos dizer que já estamos subindo um pouco mais o patamar ou nível dos investigados. Não estamos restritos ao ex-servidor nem ao vereador - disse Marques.
O jornal "Folha de S.Paulo" publicou ontem entrevista com uma das testemunhas ouvidas pelo MP. Ex-diretora da BGE, empresa do grupo Brookfield, Daniela Gonzalez afirmou que a multinacional pagou, entre 2008 e 2010, R$ 1,6 milhão em propinas para liberar obras irregulares nos shoppings Higienópolis e Paulista. Segundo ela, Aref recebeu propina dos dois empreendimentos em vários momentos. Uma delas no valor de R$ 133 mil.
Aurélio Miguel, segundo ela, intermediou junto à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) obras e ampliação do Shopping Paulista. Daniela foi demitida em 2010 e está sendo processada pela Brookfield por irregularidades cometidas no exercício da função.
Aurélio e Aref negam as acusações. O ex-diretor é suspeito de enriquecimento ilícito. Ontem o Ministério Público atualizou a lista de imóveis encontrados em nome do investigado. Inicialmente eram 106. Agora já são 118 - uma média de um imóvel comprado a cada 20 dias. Segundo a promotoria, a maioria dos bens foi adquirida a partir de 2005, quando Aref passou a ocupar o cargo de diretor de Aprovação de Obras da prefeitura.
Ontem, a residência e uma empresa do ex-diretor foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça. Na operação, policiais e promotores recolheram documentos referentes à compra de imóveis por Aref, copiaram arquivos de computadores que podem ajudar nas investigações e apreenderam até um cofre lacrado encontrado na casa do ex-servidor.
O Ministério Público diz ter, além de Daniela, outras cinco testemunhas que apontam casos de pagamento de propina ao ex-servidor. Alguns são também ex-funcionários da Brookfield. A empresa divulgou nota em que diz serem infundadas as acusações da ex-funcionária. Também em nota, o vereador Aurélio Miguel atribuiu as denúncias ao seu trabalho como vereador.



Leia também:

03/05/2019
Nota: falta de transparência no corte de verbas no ensino superior é preocupante.

20/02/2019
ESCOLHA DO NOVO CONSELHEIRO: CRITÉRIOS POLÍTICOS QUE SEGUEM DESAGRADANDO A SOCIEDADE CIVIL E A POPULAÇÃO CAPIXABA

29/01/2019
Das nomeações para cargos do governo do Estado do Espírito Santo

27/01/2019
NOTA: Resistir é preciso De Mariana à Brumadinho impera a ineficiência e irresponsabilidade pública e privada

04/01/2019
NOTA: Inciso aprovado no estatuto do COAF gera preocupação



(c) 2009-2020. Transparência Capixaba - Todos os direitos reservados.
Porto