Artigo

Vale tudo pelo seu voto

Rodrigo M. Rossoni
Estudante de economia da UFES; Secretário de Marketing e Social da Transparência Capixaba e fundador da Transparência Capixaba Jovem transcapjovem@gmail.com



O eleitor brasileiro, desatento ou desinteressado com o cenário político atual, pode estar alheio aos conchavos que tumultuaram o entendimento ideológico das eleições municipais deste ano, mas o fato é que até mesmo os mais empenhados cientistas políticos não devem mais ter estômago para explicar tamanho fisiologismo e tantas reviravoltas no jogo eleitoral.

Alguns partidos políticos migram cinicamente para chapas adversárias que outrora combatiam com todas as armas e para as quais agora juram amor. Aliados de ontem se tornaram rivais hoje, não porque possuem projetos de construção distintos para suas cidades, mas porque em algum momento foram desfeitas as promessas de distribuição futura de cargos, na mais pura malícia da politicagem.

Não é a maneira de pensar que interessa a alguns partidos e sim o escambo político com vistas ao poder, num vale tudo onde se abandonam aliados e se aliam a adversários históricos. Essas parcerias, uma vez concretizadas nas urnas, trabalham por sua própria sustentação no topo a um alto custo social, pago sempre com a benevolência do dinheiro público.

Acusados de corrupção se abraçam com seus antigos acusadores demagogos. Políticos cassados no passado por partidos adversários são bem vindos em alianças contemporâneas entre seus líderes que ignoram a fidelidade. Tornaram-se iguais e já não se pode mais distinguir suas bandeiras, maculadas pela incoerência de suas atitudes.

Estão todos no centro de uma nova proposta política que não serve ao país, mas atende muito bem aos anseios de sua busca famigerada pelo poder. E o que há lá quando o alcançam? Estejamos certos de que não é a possibilidade de realizar algo pelo bem estar do cidadão. Para isso não há tempo, nem sobra verba, pois as eleições acontecem de dois em dois anos e é preciso repensar as próximas alianças e atender a uma série de interesses que não são os do povo. O voto do eleitor não é importante, pois o tempo de TV - alvo preferencial das alianças - o marketing político e a troca de favores sempre o podem manipular.

Depois dos partidos mostrarem o que são capazes de fazer por uns minutos a mais na propaganda gratuita - paga pelo contribuinte - entrou em cena o eleitor que, a partir do último 06/07, também será seduzido a concordar, ou não, com esses conluios repulsivos. Com o poder de decisão em suas mãos, o cidadão deverá pesquisar criteriosamente os valores individuais de seus candidatos, além da coerência das propostas de seus partidos. E somente o voto consciente, que representa bem o nosso inconformismo, será capaz de revogar esses tratados traiçoeiros.






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