Artigo

País rico é país sem ricos

Gustavo De Biase
é formando em Serviço Social na UFES e faz parte da coordenação nacional provisória da REDE Sustentabilidade.



Nesses últimos tempos o aborto tem sido um tema muito debatido... Entretanto, este texto não é uma crítica ou defesa ao aborto convencional, pois este é um tema muito importante que será debatido em outras oportunidades (pessoalmente, sou contra).É necessário debater outro tipo de aborto: Há mais de 500 anos temos outro tipo no Brasil, já legalizado, que eu chamo de "aborto institucionalizado". Começou quando os portugueses se apropriaram de nossas riquezas, de nossa terra, de nossa gente, obrigando os nativos a trabalharem, destruindo a cultura local... Trazendo em seguida escravos negros, que eram tratados como animais selvagens, sem alma, sem sentimento, sem dignidade. Então, veio a linda Princesa Isabel com a Lei Áurea, mas sobre isso já disse Gabriel o Pensador:

"O Brasil aboliu a escravidão, mas o negro da senzala foi direto pra favela.
Virou um homem livre e foi pra prisão.
Só que a tal da liberdade não entrou lá na cela.
(E a discriminação ainda é verde e amarela).
É pra rir ou pra chorar?"

Depois, vieram as grande metrópoles e o "desenvolvimento" chegou ao Brasil. Deixamos de ser colônia, alcançamos a democracia, veio a ditadura e hoje estamos numa democracia, limitada, que precisa ser democratizada. Será que algum dia tivemos de fato uma democracia no Brasil? Tivemos desenvolvimento nessa pátria amada? Desenvolvimento e Democracia para quem? São perguntas para nossa reflexão... Atualmente, os jovens brasileiros são abortados com 12,15,17,22,25 anos... A maioria negra e nas periferias, vítimas do tráfico ou do aparato repressor, que por sua vez são somente instrumentos do sistema opressor que aborta os mais fracos, principalmente depois do nascimento.

Ao contrário do que prega o senso comum, a solução para o extermínio da juventude não passa necessariamente por mais armas e prisões. O primeiro passo é um investimento pesado numa educação pública e de qualidade, tratando todos de forma equânime, de forma que até os políticos matriculem seus filhos numa escola gerida por eles, pois é um absurdo ver que todos os nossos representantes levem seus filho para escolas particulares, atestando que a educação pública não presta pra eles. O segundo passo é a garantia de políticas públicas inclusivas, num aspecto mais geral, passando por saúde, cultura, mobilidade, lazer, esporte, saneamento e moradia.

O último e mais importante é a caminhada para que a riqueza socialmente produzida seja igualmente distribuída. Enquanto houver aumento da concentração de renda e terra, não ultrapassaremos a barreira da violência. Depois disso, o governo federal pode mudar seu slogan para: País rico é país sem ricos.






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