Artigo

OS PARTIDOS E A CRISE DE GESTÃO

Eliomar Mazoco
É historiador e Especialista em Políticas Públicas



* Publicado no jornal A Gazeta de 25/04/2014 - Opinião.

Os partidos políticos brasileiros têm uma parcela grande de responsabilidade na crise de gestão que o país vive em todas suas esferas da administração pública.

 

O loteamento de cargos por interesses eleitorais em detrimento do mérito e da qualidade técnica leva a formação de governos e administrações com pessoas desqualificadas e despreparadas para o exercício das funções públicas. Além de administrações insensíveis às demandas da população, uma vez que não estão interessadas na qualidade da gestão, mas no atendimento fisiológico da pauta dos políticos.

 

A exigência expressa por políticos que o secretario indicado pelo partido não ajuda ao crescimento do mesmo e nem atende aos pleitos partidários, revelam com nitidez e escárnio a crise. Ora um secretário de estado ou da prefeitura tem que atender as demandas da população em consonância com o projeto do governo e não dos interesses mesquinhos de seu partido.

 

O exemplo levado ao extremo em várias áreas de atuação rouba do governante sua capacidade de liderança e gestão. Transforma a administração pública numa colcha de interesses fisiológicos e corporativos que comprometem sua qualidade e alcance de resultados para a população.

 

Não é, portanto sem razão que população rejeita a classe política. Ela enxerga com clareza que essa relação promíscua é a fonte de maus governos e da perpetuação das mazelas que encara na saúde, educação, segurança, mobilidade urbana e nas políticas públicas em geral.

 

Vereadores que querem indicar serventes de escola, deputados que querem indicar diretores de escolas e postos de saúde, partidos que querem secretarias para transformar seus orçamentos em vantagens partidárias flertam com a corrupção e o desgoverno.

 

Ao exigirem como plataforma partidária o fim dessas indicações, ao punirem seus filiados que assim agem e mesmo ao negarem a filiação a políticos notórios fichas sujas, os partidos políticos, por meio de seus conselhos de ética, poderiam contribuir em muito com a reforma e saneamento da administração pública brasileira, sem que seja necessária a aprovação de profundas e mirabolantes reformas políticas que muitas vezes atrás do discurso fácil buscam a perpetuação eterna deste esquema.






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