Artigo

Ode à infância e juventude

Antonio Marcus Machado
Economista e professor universitário



Fiquei vendo e ouvindo o jornalista Vinícius Baptista e a juíza Patricia Neves ao longo de uma entrevista.  Incrivelmente fez-se um silêncio inabalável, tocante e contundente. Havia os sons matinais de um dia que começa e as vozes do entrevistador e da entrevistada, mas o que imperava era o silêncio demolidor de uma revelação incontida: o descaso com a vida humana em sua fase de formação social. A incompetência de o Estado tratar a  infância e a juventude. O depoimento de um juíza inconformada, frustrada e ao mesmo tempo disposta a encontrar uma solução a dedicar-se mais ainda apesar de marcada pelo cancer, já curado. O que me chamou a atenção foi a serenidade da juiza, sua franqueza tênue e sua verve humanista.

 

Essa entrevista nos leva a pensar sobre a geração, acumulação e distribuição da riqueza que a humanidade tanto busca. Sobre a natureza dos investimentos feitos para alcançá-la. Autoridades estão ansiosas por apresentar números economicamente expressivos e obras romanescas. Escolas e saúde básica não estão nessa busca. O tema da entrevista seria aderente a Wagner com suas Walkyrias, mas a juíza, apesar de todo o inconformismo, de toda a dor reprimida em seu idealismo Waldeniano, fez-se aderente a Grieg, a Debussy. Com lampejos de Mozart na inteligência de suas considerações.

Infelizmente, o estado brasileiro parece mais interessado em investigar juizes que dar-lhes condições ideais de trabalho. Colocam a vida em risco, têm a responsabilidade do destino de um ser humano, da consagração de seus direitos e nem sempre têm as condições necessárias para exercer sua profissão. E o cidadão, em criticar seus salários. Enquanto nós assim procedermos estaremos inviabilizando o futuro que essa nação verdadeiramente merece.

Parabéns ao jornalista Vinícius Baptista pela competência em deixar aflorar o sentimento da juíza e meu muito obrigado, Patrícia, pela belíssima ode à vida infanto-juvenil.






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