Artigo

O poder da hashtag

Fernando Mendes
É jornalista, social media, sócio-diretor da Knowlodge Media, vice-presidente da Federação Capixaba de Jovens Empreendedores (Fecaje) e coordenador da Transparência Capixaba Jovem.



A política brasileira vive um novo momento influenciado pelas redes sociais. Os veteranos e antigos coronéis partidários não sabem lidar bem com as novas tecnologias e novos hábitos da sociedade, principalmente dos jovens e suas redes de contatos na internet.

Em um passado recente, a relação do político com o eleitor, na maioria das vezes, se dava apenas no período da campanha. Após eleito, a classe de paletó e gravata se sentia com uma carta branca para fazer o que quiser nos próximos quatro anos. "Represento o povo que me elegeu" é típico de se ouvir.

Isso está mudando. As redes sociais têm aproximado os jovens da política. Pena que sempre em agendas negativas e sem uma igual mobilização no ambiente não virtual. Fato é que até a escolha de nomes para o comando de comissões permanentes do Poder Legislativo deixou de ser apenas uma divisão de cargos e vantagens entre partidos e passou a ter que contar também com o aval da opinião pública.

O caso mais em voga recentemente é o do pastor Marco Feliciano, que preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Indicado pelo PSC, nem mesmo seu partido e a presidência da  Casa sabem mais o que fazer com a imagem negativa que suas posições racistas, homofóbicas e preconceituosas têm trazido para os parlamentares.

Mas o que fazer? Dialogar! Não há outra saída. A sociedade está se cansando, tardiamente, de ficar apenas na plateia. A resposta à eleição de Renan Calheiros (PMDB) para a presidência do Senado com quase 2 milhões de assinaturas é um exemplo. É preciso que os Poderes Legislativos, rotulados de Casa do Povo, hajam como parlamentos e dialoguem.

Além das casas legislativas, os partidos precisam se aproximar das pessoas. A política não deve ser apenas eleitoral. Deve ser uma prática que ajude uma nação a aperfeiçoar cada vez mais sua democracia e a debater alternativas que possam se converter em bandeiras nos mandatos conquistados com o voto da população.

Já com um nome bem virtual, o Rede, da ex-senadora Marina Silva, vem com uma proposta em que o partido é apenas um instrumento de um movimento da sociedade que busca mudanças. As propostas inovadoras da filha do Acre, um estado sempre alvo de piadas dos brasileiros, já mostrou sua força nas últimas eleições presidenciais e pode surpreender novamente no próximo ano.

A hashtag é o mecanismo utilizado para indexar assuntos e conversas nas redes sociais e tem o poder de nos colocar em ambiente com pessoas com os mesmos interesses de toda a parte do mundo. São por meio delas e de compartilhamentos do Facebook que as grandes mobilizações têm começado e se os partidos não quiserem ficar para trás é necessário, principalmente, a investir nas juventudes de suas siglas e na formação de novas lideranças, com novas práticas.

Caso contrario, o risco de ver a imprensa e opinião pública aderindo às mobilizações contrárias aos acordos de gabinete é tão certa como a afirmativa de que neste momento há centenas de pessoas compartilhando algum fato negativo sobre a política brasileira em redes sociais.

Publicado originalmente no blog de Fernando Carreiro no dia 02/04/2013, em http://www.fernandocarreiro.com





(c) 2009-2013. Transparência Capixaba - Todos os direitos reservados. Porto - Internet de Resultados.
Porto - Internet de Resultados