Artigo

O Irã e a Balança de Poder no Oriente Médio

Helvécio de Jesus Júnior
Mestre em Relações Internacionais pela PUC-RJ, doutorando em História pela UFES e professor da UVV.



George Friedmann, estrategista norte-americano, prevê que um dos principais focos de atenção militar para os EUA na próxima década será o Oriente Médio. Obviamente, isso se relaciona com a importância geopolítica da região, suas gigantescas reservas de petróleo e em razão do crescimento da ameaça iraniana.

Aplicando a teoria da balança de poder para a região é possível verificar alguns padrões. Os EUA, assim como na Ásia Oriental, mantém a função de equilibrador externo (offshore balancer), ou seja, uma superpotência que dissuade, através do seu poderio naval, o estabelecimento de um hegemon regional como o Irã. Os EUA são o fiel-da-balança de poder na medida em que buscam também alianças militares com países rivais ao Estado aspirante a hegemon regional, como é o caso da aliança entre EUA e Turquia. A teoria assume que, na medida em que um Estado se torna revisionista, ou seja, busca alterar o status quo regional ao seu favor através do incremento do seu poderio militar e econômico, os demais Estados menores buscarão uma aliança para conter a possível ameaça e também para manter o status quo regional.

A aliança militar entre EUA e Israel e entre EUA e Arábia Saudita, com fornecimento quase irrestrito de material bélico de alta tecnologia responde a essa previsão teórica e se conecta com as variáveis da teoria da balança de poder. Em sua ultima ratio o poder limita o poder através do seu uso militar, mas enquanto uma intervenção militar não ocorre aplica-se a dissuasão militar e política através das sanções contra Teerã e a presença naval norte-americana para evitar o fechamento do Estreito de Ormuz por parte das forças iranianas.

Independente do programa nuclear iraniano prosseguir ou não é importante recordar que o Irã é a maior força militar convencional no Oriente Médio. Israel é outra potência na região, nuclearizada, mas equilibra poder diretamente com a Síria, Líbano, Jordânia e Egito e somente indiretamente com o Irã. A Turquia deveria ser a potência equilibradora para conter a expansão iraniana, mas o país segue relutante em ativar sua política externa em termos geopolíticos no Oriente Médio e continua com sua tradicional visão dúbia entre pertencer a Europa, uma aspiração, ou de pertencer ao Oriente Próximo, uma realidade, embora negada muitas vezes. Com a retirada das tropas do Iraque, o regime fundamentalista de Teerã vai agir de forma mais vigorosa e influenciar as forças xiitas no país. O desafio para os EUA, em uma era de corte nos gastos de defesa, será priorizar as ameaças reais aos interesses norte-americanos na região e criar cenários para contenção do Irã, inclusive por meio militar.






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