Artigo

Melhorando a imagem*

Rodrigo M. Rossoni
Estudante de economia da UFES; Secretário de Marketing e Social da Transparência Capixaba e fundador da Transparência Capixaba Jovem transcapjovem@gmail.com



*Artigo publicado no Jornal A Gazeta de 05 de Março de 2013 (Opinião, pág. 16)

Os brasileiros foram surpreendidos de maneira positiva no último dia 27/02/13 pela aprovação por unanimidade na Câmara dos Deputados do projeto de lei de autoria da atual ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann que acaba com o pagamento do 14º e 15º salários no Congresso Nacional.

 Desde que começaram os debates sobre o tema, a expectativa imediata foi a de ouvirmos mais discursos encalacrados e demagógicos que ficariam apenas na promessa de moralização e redução dos elevados custos de instituições públicas que há muito tempo carecem de maior aproximação com a realidade social da maioria dos trabalhadores assalariados no Brasil.

             Interessante notar que tal medida não está isolada em meio aos atuais movimentos pela recuperação da credibilidade política brasileira. No âmbito local, a Assembleia Legislativa do ES e o Tribunal de Justiça discutem a redução de seus prolongados recessos, pois em virtude da produtividade apresentada por suas instituições, extrapolam os limites do absurdo e desgastam suas imagens. Caso ocorra, a mudança também colocaria excelências e meritíssimos em pé de igualdade com os milhões de contribuintes de quem são servidores e os quais não usufruem de tantas vantagens ou benefícios trabalhistas extraordinários.

            Outro avanço em debate no legislativo estadual - por iniciativa da Transparência Capixaba, da OAB/ES, do Ministério Público de Contas e apoiada por diversas instituições da sociedade civil organizada - trata do projeto Conselheiro Cidadão que visa à democratização da escolha dos conselheiros do Tribunal de Contas do ES que deve, por pressão popular, deixar de ser um órgão onde se aposentam luxuosamente nossos deputados para, de maneira efetiva e livre de conflitos de interesse, orientar e controlar a gestão dos recursos públicos em benefício da sociedade.

             Tais mudanças, anunciadas com pompas e à luz do sol em momentos estratégicos onde a insatisfação popular se torna efervescente, são recebidas com desconfiança pelo cidadão que, de fato, deve permanecer alerta às possíveis "compensações" a esses cortes que alguns astuciosos edis acabam aprovando em atos secretos nos momentos de desatenção do eleitorado, como copas do mundo, carnavais e eleições.

 Apesar de natural a incredulidade causada por séculos de desilusão com a política, essas medidas são positivas e bem vindas, pois foram conquistadas através de pressões populares e demonstram amadurecimento democrático, representando a mudança de uma imagem interna e externa de um país em desenvolvimento, não apenas econômico, mas de seus valores institucionais.






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