Artigo

MEDIOCRIDADE LÍQUIDA

Luis Filipe Vellozo de Sá e Rafael Claudio Simões
Luis Filipe Vellozo de Sá é Economista/graduando em Direito UVV, Rafael Claudio Simões é Historiador e Membros fundadores da ONG Transparência Capixaba



Modernidade Liquida é um conceito elaborado por um dos grandes filósofos do século XX, Zygmunt Bauman, onde ele nos ensina que estamos vivendo uma era de fluidez, de volatilidade, de incerteza e insegurança. Significa que toda a rigidez e todos os referenciais morais de outras épocas, denominada por ele como modernidade sólida, "são retiradas de palco para dar espaço à lógica do agora, do consumo, do gozo e da artificialidade". Na modernidade líquida, tudo é instável, as relações humanas são intangiveis e a vida em sociedade perde consistência e estabilidade. Como se vivêssemos num presente contínuo.

Tomando emprestado o conceito de Modernidade Líquida, podemos construir, por analogia e despretensiosamente, o conceito de Mediocridade Liquida para designar o estágio atual das nossas relações sociais, politicas e econômicas. Relações recheadas de cinismo, irracionalidade, mau caratismo, hipocrisia e, até mesmo, um tanto quanto festiva. E daí, mano? Viva a falsidade coletiva em prol da estabilidade das nossas relações.

Olhemos para o comportamento da classe social majoritária: a chamada classe média. Comporta as mais diversas características extremadas: é reacionária, revolucianária caviar, moralista, liberal inconsequente, ignorante, google-erudita, religiosa-cult, atéia de boutique, "zé boquinha", ética "até a pagina três", etc.

Cada um parece entretido no seu Eu-Proprio, publicizando, sem filtro e sem vergonha alguma, suas futilidades nas redes sociais, explicitando por completo sua insignificância no universo. De longe estamos formando um conjunto de sujeitos líquidos sendo empurrados inconscientemente, que nem gado, pelo corredor da morte da nossa própria existência moral. Todos de mãos dadas nessa grande sarjeta universal.

As construções e interesses coletivos, num ambiente como esse, perdem importância e significado. Tudo o que conta é o próprio sujeito. A realização de políticas públicas de caráter cidadão - universais, portanto - perdem força. Fortalecem o poder das corporações e grupos de interesses mais articulados. O cidadão autorreferenciado ao extremo dá um tiro no próprio interesse.

Essa era da mediocridade fluida, do comportamento me, myself and I é um prato cheio para as lideranças politicas populistas. Somos tratados como um bando de alienados vagando por aí, que por qualquer esmola (credito barato, aumento salarial, bolsa-família, bolsa-empresário, etc) vendemos a nossa alma para obter qualquer "meia-entrada". Como diz o ditado: "de graça? Até injeção na testa!".








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