Artigo

A Síria e a Geopolítica

Helvécio de Jesus Júnior
Mestre em Relações Internacionais pela PUC-RJ, doutorando em História pela UFES e professor da UVV.



As tensões recentes na Síria começam a escalar aos níveis de uma guerra civil. O regime de Bashir-Al-Assad tem muito em comum com o ex-ditador líbio Muamar Kadafi. Ambos mantinham o controle das grandes divisões internas pela força das armas e por meio de ações que hoje o Tribunal Penal Internacional consideram genocídio e crime de guerra. O pai de Assad, Hafez Al-Assad, assassinou mais de10 mil de revoltosos da Irmandade Muçulmana em 1982 na cidade de Hama. Foi o maior massacre da história moderna da Síria.

A Síria é dividida em religiões antagônicas em suas disputas por controle político. Na capital e região central do país prevalecem os muçulmanos sunitas, no oeste cristãos e muçulmanos xiitas do culto alauíta, além dos drusos. Com essa fragmentação interna o cenário se torna um pavio. Assad recorre a violência e pratica pequenos massacres como o de Hama em cidades como Homs. Com esses níveis de violência por que razão a comunidade internacional, por meio da ONU, não age na Síria?

A resposta parece estar no nível internacional. A Síria envolve interesses geopolíticos mais fortes nesse momento. Rússia e China votaram contra a resolução do Conselho de Segurança, patrocinada pela Liga Árabe, pressionando Assad a deixar o poder. A Síria é o último bastião de projeção do poder russo no Oriente Médio desde a Guerra Fria. Os sírios compram cerca de U$24 bilhões em equipamentos militares dos russos e Moscou tem investido mais de U$ 20 bilhões em projetos de infraestrutura e energia.

Do mesmo modo a Rússia tem na Síria uma aliada regional e costuma usar o porto de Tartus como base naval para sua flotilha no Oriente Médio. Recentemente Moscou enviou o porta-aviões Almirante Kuznetsov para a Síria. Ao priorizar o apoio ao regime ditatorial de Assad os russos querem demonstrar que ainda desempenham um papel de destaque na política internacional e que devem ser respeitados. As relações da Rússia com o Irã e com a Líbia forma prejudicadas, no primeiro caso pela tradicional rivalidade política e no segundo pela intervenção da OTAN que isolou à Rússia. Deste modo, Moscou sabe que precisa manter a influência na Síria para não ver a OTAN se apoderar de uma tradicional zona de influência russa.

A Síria,portanto, é um ponto geopolítico essencial na estratégia russa. Vladmir Putin, pensando nas eleições presidenciais de 2012, tenta colocar o foco na crise síria para desviar a atenção dos protestos internos contra sua candidatura. No fim, para entender a crise na Síria, além da questão interna, é preciso atentar para os interesses do maior e mais forte aliado de Damasco, a Rússia!






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