Artigo

A morte do professor

Rodrigo M. Rossoni
Estudante de economia da UFES; Secretário de Marketing e Social da Transparência Capixaba e fundador da Transparência Capixaba Jovem transcapjovem@gmail.com



 (Publicado em "Blog do Fernando Carreiro": http://www.fernandocarreiro.com/2013/05/a-morte-do-professor-por-rodrigo-rossoni.html

O professor Guilherme Almeida Filho, coordenador de uma escola na cidade de Cariacica, foi mais uma vítima da violência que posiciona o Espírito Santo em segundo lugar no ranking dos estados com as mais altas taxas de homicídios do país.

Morto a tiros no dia 08/05 por Wanderley Martins, um assassino frio que sorria na delegacia após ser preso cometendo outro roubo de veículo em Vila Velha, o professor caiu diante do portão por onde entravam, minutos antes, alunos do ensino fundamental daquele município. Não há palavras traduzir a consternação diante desse ato covarde e cruel, nem perspectivas de que a violência em nosso estado seja controlada sem uma coordenação e o controle de investimentos sociais.

Após o fato passado, o Secretário de educação de Cariacica ainda em choque disse "esperar que fosse dada mais atenção à região". Um comandante da Polícia Militar afirmou com pragmatismo, a despeito do que se viu trinta dias antes quando o professor teve o carro roubado no mesmo local e pelo mesmo criminoso, que "o policiamento ostensivo ocorre normalmente na região". Especialistas em segurança recomendam que a vítima não reaja ao assalto, como fez o professor que correu de seu algoz.

Não deveria então o Estado reagir ao invés de expor à violência o cidadão a quem deveria proteger? É sempre esta a forma: a população espera que depois de uma brutalidade dessas algo finalmente seja feito; o Estado diz que o trabalho está sendo feito e exibe estatísticas próprias, ainda que os fatos vivenciados pela população mostrem o contrário; e por fim culpa-se a vítima.

O professor correu para se proteger na escola que deveria ser o alicerce de uma sociedade justa e com perspectivas de futuro para todo cidadão. A escola diante da qual foi morto ainda não promove a melhora nos índices sociais do Brasil. A morte do professor Guilherme - não esqueçamos seu nome -, num contexto onde a gestão eficiente de recursos públicos para a educação poderia reduzir a criminalidade é, portanto, um desalento. Sem boa vontade e ações concretas nesse sentido veremos a esperança morrer tal qual o professor que a representa no sentido mais amplo da palavra.

Como apontam os estudos do economista e prêmio Nobel por pesquisas na área de políticas sociais e de educação, professor James Heckman, os recursos que um país se dispõe a investir na educação de crianças e jovens criam um ambiente de oportunidades que são capazes de diminuir, dentre outras tantas mazelas, a violência principalmente. Talvez seja esse o caminho, mas enquanto alguns políticos parecem ignorar a sugestão pagamos o alto preço das consequências.






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